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17/02/2011 - 10:00
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LUIZ FLÁVIO GOMES*
Acabo de ver o vídeo (cf. o vídeo aqui) do sujeito acusado de ter matado a mãe e xingado a imprensa. Vamos partir da premissa de que tudo isso seja verdadeiro. O que nos importa é fazer algumas reflexões éticas. Que se entende por ética?
Ética é a arte de viver bem humanamente (Savater). A ética nos ensina a viver melhor. Nos ensina a fazer bom uso da nossa liberdade. Se você tem a preocupação de fazer da sua vida algo de bom, convém estar atento à ética.
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09/02/2011 - 18:00
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LUIZ FLÁVIO GOMES*
Danilo Fernandes Christófaro**
Na madrugada do dia 31 de janeiro de 2011 cinco jovens agrediram e amarraram (cruelmente) um morador de rua, na cidade de Lindóia-SP. As imagens foram gravadas pelas câmeras de monitoramento da cidade[1]. Um índio (certa vez) foi assassinado quando estava num ponto de ônibus em Brasília. Vários jovens agrediram homossexuais na Avenida Paulista. Incontáveis moradores de rua foram mortos em Maceió-AL… As bestialidades (“humanas”) são cessam.
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27/01/2011 - 11:00
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LUIZ FLÁVIO GOMES*
Mais de R$ 31 milhões por ano são gastos para pagar pensão a ex-governadores (ou seus familiares) (Folha de S. Paulo de 25.01.11). A filha do ex-governador de Santa Catarina Hercílio Luz (que morreu em 1924) continua recebendo o benefício até hoje. O senador Álvaro Dias, para “comprovar” que sua pensão está sendo doada para entidades sociais, apresentou um recibo datado de 30.11.11 (Folha de S. Paulo de 24.01.11, p. A6).
A desmoralização da nossa democracia é generalizada. Os políticos, em geral, com frequência, esquecem os interesses públicos. Políticos de todos os partidos usufruem a imoralidade. Está correta a OAB em pedir ao STF que acabe com esse festival de benesses públicas em favor de interesses privados.
Não sejamos idiotas no sentido grego. Idiótes (em grego) é aquele que só vive a vida privada, que não aceita qualquer tipo de participação na política (no governo da cidade) (cf. Cortella e Janine Ribeiro, Política para não ser idiota).
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16/01/2011 - 18:00
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LUIZ FLÁVIO GOMES*
Já que é impossível sonhar com uma sociedade sem classes, tal como imaginou o materialismo histórico de Marx, vamos ao menos enfrentar com equilíbrio e sensatez o problema político da libertação dos seres humanos (de alguns grupos étnicos) das suas condições desumanas de existência. Temos o direito de sonhar com uma sociedade sem alienação e sem tiranias, que combine criatividade e regulação, indivíduo e sociedade, desejo e moralidade, lazer e trabalho, tradição e inovação.
O governo que, na pós-modernidade, não busca reunir forças para aplainar as diferenças sociais e econômicas, a respeitar as singularidades de cada habitante e de cada grupo étnico, a prestigiar as mudanças salutares, não pode ser qualificado como um governo democrático. Está mais para tirânico que para participativo.
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15/01/2011 - 18:00
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LUIZ FLÁVIO GOMES*
Consequências do autoritarismo
Do autoritarismo decorrem muitas conseqüências nefastas para o povo (e para a democracia). Um desses efeitos indesejados pode ser a redução (ou eliminação) dos espaços ocupados pelas forças criadoras, que são conhecidas na filosofia (e na psicanálise) (Platão e Freud) como Eros.
Eros significa (consoante Freud) vida, criatividade, prazer, alegria, emoção, comunicação, interação. E tudo isso representa o que existe de fundamental na construção da cultura de todos os povos.
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14/01/2011 - 18:00
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LUIZ FLÁVIO GOMES*
Do ponto de vista sociológico, em todo e qualquer tipo de organização social (há alguns milênios as coisas acontecem dessa maneira) pode-se vislumbrar (como bem sublinha Vilma Figueiredo, Autoritarismo e Eros, 1992, pp. 19-20) dois vetores (dois dados, dois elementos) fundadores, que são:
“1. a regulação e a institucionalização da vida, que tornam possível a convivência de agregados humanos e garantem a permanência das sociedades;
2. a força inovadora, criadora, que possibilita a transformação e a mudança social”.
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13/01/2011 - 18:00
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LUIZ FLÁVIO GOMES*
O VALOR DA CRIATIVIDADE NOS ESTADOS DEMOCRÁTICOS
Minhas primeiras reflexões são as seguintes:
Medidas autoritárias como essas fazem parte da nossa tradicional guerra civil contra os discriminados étnicos, sociais e econômicos (O Brasil vive em estado de guerra civil desde 1500, declaradamente desde 1822).
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12/01/2011 - 18:00
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LUIZ FLÁVIO GOMES*
Os artistas de rua promoveram em São Paulo, no dia 20.12.10 (conforme noticiaram vários jornais e sites, dentre eles o da UOL), um protesto contra a proibição de atividades artísticas em espaços públicos. A proibição faz parte da “Operação Delegada”, realizada pela Prefeitura em parceria com a Polícia Militar, que tem como objetivo reprimir atividades de comércio ilegal.
A operação iniciou em dezembro de 2009 e, desde então, estátuas vivas, palhaços, saxofonistas, guitarristas, malabaristas e repentistas, dentre outros profissionais, estão impedidos de se apresentar nas ruas de São Paulo. Em novembro de 2010 as ações chegaram à Avenida Paulista, atingindo os artistas com apreensões de equipamentos e até mesmo prisões.
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10/01/2011 - 13:30
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 José Murilo de Carvalho
LUIZ FLÁVIO GOMES*
No jornal O Globo de 06.07.09 o historiador José Murilo de Carvalho resumiu, em poucas linhas, o que é “ser republicano”. Vale a pena transcrever o seu enxuto texto, que vai certamente levar também você a uma série de reflexões.
Começa citando o jesuíta Simão de Vasconcelos, 1663: “Nenhum homem nesta terra é repúblico, nem vela nem trata do bem comum, senão cada um do seu particular”. Em seguida escreveu:
“Ser republicano é crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza”.
“É rejeitar hierarquias e privilégios”.
“É não perguntar: ‘Você sabe com quem está falando?’”
“É responder: ‘Quem você pensa que é?’”
“É crer na lei como garantia da liberdade”.
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08/01/2011 - 08:30
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LUIZ FLÁVIO GOMES
E se você diz que não quer saber nada desse negócio de ser livre, que você está farto desse discurso, que esse negócio de liberdade gera muita responsabilidade, que você quer se colocar nas mãos de alguém (de algum pastor, de algum mestre ou guru etc.), que você prefere ser servo (escravo) de alguém?
Pois, até neste momento, talvez sem perceber, você está fazendo uso da sua liberdade.
É que “Estamos todos condenados à liberdade” (como dizia o filósofo francês Jean-Paul Sartre).
Temos liberdade até para decidir que não queremos ser livres. Nesse caso você elegeu não decidir as coisas por você mesmo, não eleger suas decisões por você mesmo.
Suas decisões serão eleitas por outros. Isso pode até te trazer um certo conforto psicológico e/ou moral, mas não o afasta (totalmente) da responsabilidade de tudo aquilo que acontece em sua vida.
Sendo assim, embora seja um fardo bastante pesado, o melhor mesmo é continuar sendo dono das suas decisões. Melhor ainda é procurar fazer bom uso da liberdade.
Veja também do prof. LFG
O que você deve fazer com sua liberdade: pergunte a você mesmo (2)
O que você deve fazer com sua liberdade: pergunte a você mesmo (1)
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