6 de agosto de 2012 18:30 - Atualizado em 10 de agosto de 2012 15:26 Não demora, estou cansada. – Vontade de atender a vontade. – Vontade? – Então, eu tenho tentado, estava a esperar que se fossem teus compromissos. Anda, diz para eu ir. – Vamos ter que combinar… Eu não posso, há tanto por fazer. – Estou com saudade do que poderia ser, eu sei… – Ah! E como podes saber? Eu… Atualidades do Direito, Crônicas Tweetar 336 – Vontade de atender a vontade. – Vontade? – Então, eu tenho tentado, estava a esperar que se fossem teus compromissos. Anda, diz para eu ir. – Vamos ter que combinar… Eu não posso, há tanto por fazer. – Estou com saudade do que poderia ser, eu sei… – Ah! E como podes saber? Eu não sou a tua invenção. – A praia, ficaríamos lá. Gostas tanto, tu me contaste. – A praia… Seria perfeito se eu estivesse livre. – De verdade, um esforço, poderíamos tentar. – Podemos, podemos, sim. – Ah, mas tu nunca te fazes vir. – Não me faço ir? Rsrs. Eu não pude, eu não posso. – Pensei mesmo que virias. – Eu te disse, os compromissos são tantos. Eu já não cuido mais de mim. – Eu sei, eu lamento, mas eu entendo. – Amanhã, vê só, já cedo, reunião. – Mas, então… Descansa, vai nanar. – Tão cansada, não consigo ir. – Olha, tudo isso, e se a tua imaginação fugir? – Imaginação? Fugir? Contigo? – Rsrs, eu teria ido, iria só para te conhecer, pelo gosto. E nem sei bem pra quê. – Terias vindo, que bom! Mas não adiantaria, é isso que queres dizer? Porque eu não poderia, é isso? Eu não entendi. – Rsrs. Não, não é isso. Eu não sei o porquê… Sinto atração, mas não sei bem o que me atrai. Atrai tanto, eu quero tanto, eu sei. Eu iria sentir, conversar, tocar. Iria te ver, te sentir… Conferir, realizar a minha imaginação. – Rsrs, não te apaixones pela tua imaginação. – O que será que me faz tomar gosto por ti? – Decifra-me, saberás, então. – Não, não é importante saber agora. Se eu te tocar, se eu te cheirar, eu saberei. E aí, então, eu quererei ainda mais sobre quem eu gostei. – Pelos sentidos me desvelas, então? Não se cumpre… Somos todos enigmáticos. – Enigmas, mas não tanto quanto dizemos ser. Nós nos sonegamos, talvez. Mas meus sentidos te perscrutariam, e nossa conversa passearia por tanta coisa em nós. – Nossos véus, nós os usamos, mas talvez sejamos mesmo desvendáveis. Não, não somos… Só até certo ponto. – A descoberta, a excitação da descoberta. Um pouco eu compreenderia, um pouco tu te contarias. Também me saberias. Um pouco fingiríamos entender, um pouco nos compreenderíamos. Mas outro pouco negaríamos ter entendido; há coisas que não queremos entender, mas nos gostaríamos. – Ai, tu és instigante! Concordo contigo! – Deverias ter vindo, ou convidado, deverias ter nos encontrado. Mas não te responsabilizo… Eu tentei pouco, merecias que eu tentasse mais. Eu deveria ter insistido muito mais. – Não, não, não. Não digas isto! Eu não teria podido, tu verias. Não tive fim de semana sem compromisso. Tirei férias, mas para resolver coisas, tantas coisas… – Ah, rsrs, eu te massagearia quando chegasses cansada, te deixaria dormir e, de mansinho, me viria embora… Eu só seria prazer, rsrs. – Não rias assim… Se soubesses da minha correria, me darias colo! Rsrs. – Depois da massagem… Dormirias no meu colo. – Ai, que encanto… Eu quero a massagem, eu quero colo. – Então eu te tocaria, só para o teu prazer… Gozarias assim, meio com sono, meio sonhando, e ficarias e eu te cuidaria, até acordares. Então, eu iria embora. – Um homem… Só pro meu prazer… Naquela hora. Cansada, colo, prazer. – Uma mulher, às vezes ela quer… Ela se dá para o homem. Ela, tão-só, se dá, e tem imenso prazer… Eu aprendi com as mulheres. Eu me dou a servir, a servir uma mulher. Nisso eu sou feminino, eu percebi que no dar-se há muito prazer. – Acredito, sinto, sei que podes ser assim. – E queres? Queres dormir tocada, gozada, molhada, no afago do colo, sem nem te mexeres dali? – Ai, eu quero, um homem, um homem com quem eu tenha intimidade. – Eu me insinuaria como tal, e o aconchego nos acumpliciaria. Seria um pouco pecado, tu te culparias por te teres deixado tomar pelas carícias por um estranho que te serviu. Mas logo, quando eu me viesse, sentirias falta de mim, ainda que para ti eu tenha sido apenas meu colo e minhas mãos. – Culpa? Com certeza não. E falta, a falta, acredito que sim… Tu és um poeta, um homem. Preciso… Preciso dormir. Anda, não demora… Estou cansada…