27 de julho de 2012 19:47 - Atualizado em 27 de julho de 2012 19:47 Ilusão de controle O pós-Segunda Guerra libertou, ou abriu um espaço social de libertação das mulheres. Falo do mundo ocidental, pois que noutras tradições ainda se as têm sob chaves, relhos e, não raro, pedradas. Se deste lado do mundo as conquistas sociais e pessoais femininas são visíveis e crescentes, em outras bandas, tristemente, a incidência religiosa sobre… Crônicas Tweetar 326 O pós-Segunda Guerra libertou, ou abriu um espaço social de libertação das mulheres. Falo do mundo ocidental, pois que noutras tradições ainda se as têm sob chaves, relhos e, não raro, pedradas. Se deste lado do mundo as conquistas sociais e pessoais femininas são visíveis e crescentes, em outras bandas, tristemente, a incidência religiosa sobre os costumes delimita o território intelectual e físico da mulher ao gosto do homem e ao recinto doméstico. Sonegam-lhe a palavra em público, os estudos, o direito de ir e vir. Impedem-lhe o tratamento médico. Pelo correr dos tempos, nada foi tão controlado quanto a mulher, e na mulher, o seu sexo. O órgão sexual feminino, no mundo mulçumano, foi e ainda é, em muitos lugares, em parte extirpado, costurado, e assim mantido até que um senhor, futuro marido, após assumir-lhe o possessão, opere a sua abertura para o que ele considera seu direito de uso; no ocidente cristão, lançou-se mão, para garantir a exclusividade do homem dominador de uma mulher, do cinto de castidade, peça forjada em ferro e provida de chave. Além desse cerceamento físico, inventaram-se controles ideológicos. Utilizam-se alegorias, tais como deusas imaculadas e mães virgens de deuses, mistificações de pureza corporal, valorizações de rituais de entrega, exaltações literárias de donzelas etc., tudo com o objetivo de resguardo do feminino, principalmente da genitália feminina. A coisa anda mais abrandada, bem mais abrandada. No ocidente, um homem já aceita casar-se com uma mulher não virgem. Contudo, do contrato matrimonial em diante, as restrições de uso da vagina são restabelecidas. Há exceções, eu sei, mas no geral é assim. “A nega é minha e ninguém põe a mão”. Insisto um pouco, mas carece insistir. Esses constrangimentos físicos e mentais só se principiaram a diluir após os anos 1950, com mais força nos anos 1960, e nunca foram totalmente erradicados. Não obstante, “algo como 30% de todos os testes de filiação paterna feitos no mundo todo dão negativo. ‘Na média, a cada 100 exames realizados, 70 resultam na confirmação da paternidade e 30 apontam para a sua exclusão’, afirma Martin Whittle, da Genomic Engenharia Molecular, de São Paulo. No Brasil, são feitos 50 mil testes de DNA por ano. A precisão de 99,9999% de acerto no exame é um fator determinante para estabelecer a verdadeira paternidade” (Época, 15nov10). Em miúdos: com alto grau de certeza, e com ampla amostragem, sabe-se que de cada dez homens que pedem exame de DNA, três não são pais de seus filhos. Juras à parte, há muito mais mulher negando-se à exclusividade do que se supunha. E acrescento: essa proporção é para casos de filho nascido; some-se gravidez interrompida e relação sexual sem gravidez (a grande maioria) e isso se multiplica. Adicione quem saiba, mas prefira não conferir. O tal instituto da fidelidade conjugal foi derrogado. O domínio das mulheres é uma ilusão. Elas namoram quem quiser. Claro, fora a minha e a sua… mãe.